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O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - por Saul Junior



“Em um buraco no chão vivia um Hobbit”.
 Assim começou a saga de uma criatura diminuta que acompanhada de um mago e de uma companhia de anões subiriam até a Montanha Solitária para recuperar seu lar de um terrível dragão. Para alegria de muitos (e tristeza de Christopher Tolkien) em dezembro de 2014 foi lançado o ultimo pedaço da adaptação em três partes daquele pequeno livrinho (sem qualquer conotação no emprego do diminuitivo) para o grande ecrã onde Peter Jackson nos brindou com muitas coisas boas e algumas odiosas. Não, não falo apenas da Tauriel. =Pp
Se você não viu o filme saiba que vale muito a pena vê-lo. É sempre legal, usando o mais simples dos adjetivos, ver a Terra Média representada em qualquer mídia que for. A versão cinematográfica da obra de Tolkien dura um pouco mais que duas horas (fugindo a regras dos mais longos anteriormente) e tenta agradar a todos. Tem uma Guerra pipocando, lutas épicas, tem comédia escrachada, tem ação, tem romance (ainda que confuso) e assim vai até o fim. Há também as lindas tomadas da Nova Zelândia caracterizadas para dar vida ao Condado e outros lugares desse mágico lugar. O roteiro não me agradou da maneira como conduziu as cenas, como foi feito os cortes e achei que muita coisa foi jogada, mas nada que comprometa a jornada que Peter Jackson propôs dando vida aquele bando folgado de anões (hehe) e seu ladrãozinho contratado. Pode ir na fé que é diversão para você, namorada, papagaio e o que for. Mesmo como fã, a menos que você seja um xiíta brabo de Mordor ou um purista, você vai gostar de muitas cenas. Não posso deixar de ser sincero e apontar vários “solavancos” não tão raros no filme que te fazem cortar um pouco o embalo e te tirar daquela imersão. Esse é um resumo. Agora quero deixar meu lado nerd comentar o filme às veras…
Update: Vi o filme uma segunda vez e desliguei totalmente o modo crítica, ignorando vários filtros, e o filme é mesmo mais divertido quando você se deixa levar pela empolgação e pelo modo Coca-Cola, Pipoca e vibração, haha...

Bom, se você não viu o filme e não quer spoilers, ainda que alguns sem importância, pare por aqui. Eu avisei.

Antes de começar a tecer meus comentários sobre o filme quero dizer que fiquei 10 minutos na fila para comprar a pipoca mais intragável que comi em minha vida. Puta que pariu, Cinema Itaú  do Bourbon Country, vão se catar com esses pedaços de isopor que vocês chamam de pipoca. A pior de toda Porto Alegre…
Update: Essa segunda vez fui ver no Imax do Bourbon Wallig e duas coisas podem ser ditas com certeza: 1) O Imax realmente dá uma força maior para qualquer filme, é um 3D mais vem feito e claro além de excelente sistema de som, teve pedaços de telhas voando que eu me esquivei além de contemplar o focinho do Smaug, o terrível, em terceira dimensão bem na minha frente... 2) Pipoca quentinha e com gosto de... vejam vocês... Pipoca!

Beleza, agora sim, a resenha…

O que eu achei do filme? Embora um misto de emoções diferentes tenham me assaltado durante um pouco mais de duas horas acredito que a resposta mais franca seja que achei a película com um roteiro bem fraco e que se salva pela força dos personagens e pela emoção injetada empregada pelas batalhas que são cheias de ação, mas muito jogadas ao acaso. Há uma falta de contextualização em muitas das partes do filme. Cada um terá sua percepção, mas haviam inúmeros fatos que a todo momento me tiravam do contexto do filme. E não, não vou falar que Tauriel não é um personagem de O Hobbit (ela está lá, fazer o quê… Resta aceitar e ver o filme) e que isso ou aquilo não é exatamente igual ao livro.Só é bom manter os olhos em uma frase do próprio Tolkien: ”Os cânones da arte narrativa em qualquer mídia não podem ser completamente diferentes; e o fracasso de filmes ruins com frequência está precisamente no exagero e na intrusão de material injustificado que se deve a não-percepção de onde o núcleo do original se situa.”. Frase sobrescrita por Sergio Ramos em uma boa resenha.
A película começa embalado pela ação entrecortada de um filme para o outro. Depois daquele enorme troféu imprensa anão de ouro líquido o Smaug partiu furioso contra a Cidade do Lago. A cena inicial de Smaug tocando o terror é cheio de efeitos, explosões e destruições. Tudo muito bonito e trabalhado. Bard consegue se soltar facilmente de sua prisão em uma cena bizarra pra caramba onde o pescoço do Mestre da cidade é mais forte que uma parede de madeira preparada e parte para o seu momento glorioso: Matar a fera. Praticamente é o trabalho de sua vida.
Muita gente reclamou da balestra de anão já que no livro o instrumento utilizado era um simples arco, porém esse foi sem dúvida o menor dos problemas desse pedaço do filme. Não sou daqueles caras chatos que acham que tudo tem que ser idêntico a obra original literária, afinal, se soubéssemos o que vai acontecer de cabo a rabo cadê a graça, certo? Porém sou sim a favor da não desvirtuação de personagens (tipo mudar totalmente seu jeito, personalidade ou atitudes…) e nem que seja um pouco da factualidade em um filme de ficção. Um dragão voador que fala pra mim está ok, porém um dragão que conversa e age como um vilão de desenho animado foi frustrante. Confesso que ao ler o livro senti uma certa decepção na maneira como Smaug, o tirano, parece mais o Smaug, a Lagartixa de Cristal. Minha grande esperança era que PJ levasse a cabo um final mais real e emocionante para o grande réptil antigo. Mais ou menos como fizeram no O Nevoeiro onde um pequeno ponto a mais (no caso do final) tornou o filme tão interessante quanto o conto do próprio Stephen King. Porém como mencionei Smaug ficava soltando frases do tipo “Olha eu vou te matar, hein”, “Vou mesmo…” e “Quem avisa amigo é…” (óbvio que não exatamente essas) que poderiam ter dado um resultado mais favorável para a salamandra gigante se ele simplesmente tivesse voado para cima de Bard e seu filho presos no alto de uma torre de madeira ou mesmo esbaforido algumas chamas mortais fazendo um churrasquinho maneiro. Mas não, foi mais digno de Tom e Jerry um discurso até que Bard usasse o pescocito e ombro de seu filho querido como alavanca para sua flecha negra atravessar o ponto fraco da vil criatura faladeira. Essa tática do PJ teve mão dupla, pois é muito surreal usar o filho como arma, mas ao mesmo tempo dá uma ideia de sacrifício e confiança. “Vira a cabeça mais pra direita por favor…”. Embora caía no mesmo ponto onde mesmo a ficção precise de algo sólido para se apoiar. Daí Peter Jackson nos dá uma cena foda do Smaug voando desengonçado até sua língua desenrolar em slow motion em uma agonia pré-morte onde ele cambaleia para o esquecimento. Essa parte sim foi, como disse, fodástica. Em Imax ver esse pedaço do filme ganhou uma nova beleza. O dragão era tão real. Fora isso foi legal (menos pro povoado, rsrs) ver um dragão enfurecido rasgando os céus e arruinando uma cidade com todo seu poder. O único adendo é que realmente poderia ter sido mais agradável se o Smaug fosse morto  em batalha e não em um bate-papo. Quando ele morreu, aquela criatura incrível, lamentei em partes por ser um personagem realmente incrível como o são todos os dragões.
Após a morte de Smaug o foco volta para os anões. Os salões de Erebor podem ser novamente tomados visto que o perigo foi dissipado. Confesso que foi meio estranho ver a tomada por completo dos salões de tesouro. Foi meio que Thorin Forever Alone. Senti falta de um Tio Patinhas Mode em mergulhos nos salões coberto por tesouros. Achei meio oco as cenas deles procurando a Arken Stone. Enquanto o anão-mor é tomado pela tal “doença do dragão” vemos que Gandalf está apanhando mais que boi bandido em Dol Guldur. Galadriel, Saruman e Elrond chegam para ajudá-lo (Radagast também, rsrs.) tomando conta da situação.
  Essa cena tem um molde feito para fãs do tipo "Imagina se" ou "quem ganharia...", mas deixa um pouco mal explicado para quem não é fã, embora nos EUA seja praticamente um livro obrigatório (inveja), quem são aqueles "fantasminhas" embora nossa musa da Middle Earth chegue recitando o poema clássico da contagem de anéis por raça dando a dica.
 A respeito dessa cena (eu sei, desculpa fazer tantas críticas, rsrs) acho muito vazia mostrando apenas alguns takes mostrando os caras mais fodas da Terceira Era (e de outras, rsrs) dando um corridão no Sauron. Mas e depois? O que houve? Sauron aprendeu sua lição e jamais voltará? Sabemos que não. Há boatos que existe preparado um caminhão de cenas estendidas, mas… Bem, depois pequeno gafanhoto, depois… Saruman dizendo que iria atrás de Sauron para "detê-lo" até deixa implícito o que aconteceu...
Aproveitar que estou com o queijo e a faca na mão (na verdade a espada élfica e as lembas) e matar (Não, ainda não é o rei sob a montanha, rsrs) dois plots que pra mim mais afundam que ajudam o filme. Temos o Alfrid (outro personagem inventado e que segue a linha do Língua de Cobra) que após o Smaug ter caído (e provavelmente matado-o) em cima do rei (Mestre, na verdade) da Cidade do Lago vemos que Bard toma a iniciativa de guiá-los até a Montanha Solitária tentando conseguir provisões e dinheiro com os anões. Porém o uso do personagem é forçado demais. No início você sente uma certa graça. Mas aí vem a insistência autoral do PJ em mostrar que o cara é um covarde e em inúmeras cenas você vê sempre a mesma ladainha reforçando o óbvio até culminar na cena patética e sem graça dele vestido de mulher e apalpando os peitos falsos. Okay, a primeira vez ele escondido do trabalho como velhinha embaixo de um véu está até aceitável, mas ele ajeitando o soutien… Nossa. Nem tem o que falar. É tipo a piada do anão pintudo no Segundo filme. Grosseira. Não combina com a temática do filme, nem remete com a classe da versão literária.
Falando no casal interracial por mais que ache uma perda de tempo criar um personagem para uma trama que já tem tantos e alguns anões, por exemplo, passaram batidos em desenvolvimento acho que o pior de tudo nem é o romance em questão, mas sim que não deu pra sacar o que o Peter Jackson (e/ou o Guilhermo Del Toro) quiseram passar. Não me venha com essa de fica a livre interpretação que nesse caso não cola. Veja bem há uma pista de que talvez a Kate pudesse ser mãe do anão com cara de modelo de cueca. No terceiro filme muitas coisas batem, pois a elfa diz que andou por aí, tem o significado da pedra, alguns olhares estranhos. Até a hora que ela beija ele não dá pra ter certeza de nada. Beijo póstumo, é verdade, necrofilia pegando, haha. Aliás nem depois do ósculo consigo ter total clareza dos fatos. Ficou uma trama subdesenvolvida. Nem sequer sabemos o que acontece com ela. Na minha opinião ela deveria ter morrido também. Esses dias vi uma pergunta em um fórum se ela devia ter ficado com Legolas ou com Kili. Eu acho que ela deveria ficar com o ostracismo.
Mas nem tudo são horrores. A parte da Guerra dos 5 exércitos (que dá nome ao filme) é muito boa. PJ se tornou um especialista em elaborar cenas assim. Batalhas é com ele mesmo.


Cabeças rolam ainda que contidas e disfarçadas por truques para evitar restrições etárias mais rígidas. Boa, mas não sem ressalvas, pois há coisas lá especialmente para irritar. Os cortes são brutos e as continuações seguem uma ordem meio aleatória. Noto que o povo leigo ficou viajando em quem seriam os 5 representantes da tal Guerra. Só pra constar: Anões, elfos, humanos, orcs e as águias. No meio deles apareceram trolls, minhocas gigantes, Beorn em uma aparição pra lá de legal de 2,5 segundos (hueheue) e por aí vai.
Dáin, o Pé de Ferro é um puta acerto. Ele e os anões sob seu poder dão toda uma nova vida ao filme. Vejo nesse caso um tipo de comédia mais adequado a filmes “medievais”. Risos sobre modos trogloditas, haha. Gandalf até diz que Thorin é o mais sensato da família. Sua montaria, o porco pulador é um espetáculo a parte. Spoiler: Fiquei muito triste com essas mortes: O porco e o Alce do Thranduil. ='(
 As estratégias da batalha novamente tem suas falhas. Os elfos se aproximando de Erebor é fantástico, mas na hora de anões e “fadinhas da floresta” se juntarem em um mesmo time os anões se protegem com escudos e os elfos… Saltam por cima como libélulas livres para alçar vôo. Poxa, a coisa mais fácil era um orc enfiar uma lança no… hã… pé de um dos soldados. Visualmente é bonito o vôo das maritacas élficas, mas em uma guerra muito descabível. Também não comprei muito a idéia de que mendigos humanos conseguissem muitas coisas não. Há ainda, novamente, a supervalorização de Bilbo (que apesar de ficar bastante tempo off) se torna um grande lutador sem precisar do anel para acertar criaturas com o dobro de sua força. Gostei dele usando pedras para acertar trolls, uma coisa meio Davi x Golias. Mas o lado espadachim dele é a habitual deturpação de personagem. Heróis nem sempre hão de usar a força. Também me chamou atenção que não importa se de um lado há um anão com uma espada e do outro um brutamontes orc com superforça e uma arma mil vezes mais pesadas o impacto das forças opostas se anulará em um “Tlink” no ar e as armas ficarão segurando uma a outra paradas, equivalem-se magicamente. Eu relevo o Légolas pulando pedrinhas,

 mas tem coisas que chamam bem a atenção. Aí já é demais. Pô, uma clava teria jogado Thorin longe ou rachado sua cabeça.
Falando no anão principal… Achei muito mal desenvolvido o jeito que o Thorin se cura da tal enfermidade. Em um momento ele está acusando seus irmãos e deixando Dáin se furunfar lá fora da montanha, na outra ele se olha em um reflexo e tem uma puta mudança de consciência. Se no Segundo filme o GoPro deu uma estranheza, a cena da confusão de identidade do rei sob a montanha não fica atrás. Creio que o desenvolvimento poderia ter sido mais refinado. Um exemplo bacana é de quando o rei anão pega o hobbit com uma noz do jardim do Beorn e eles falam sobre amizade e há um clima muito bacana que rapidamente é cortado quando Thorin ouve que os elfos estão chegando para pegar o seu tesouro e ele tem uma mudança de um sorriso amigo para a expressão de um psicopata guerreiro. Ali foi bem trabalhado esse lado ao invés daquele efeito escroto de chão de ouro movediço lhe engolindo. Credo.
 Outra coisa que queria falar a respeito do Thorin: Tanto no livro quanto no filme acho que as pessoas enxergam ele e sua paixão pelo dinheiro de maneira equivocada. Na verdade eu acredito que o anão está certo no que ele defende e até vemos um pouco disso em algumas partes da película. Thorin e sua trupe estão indo recuperar o seu lar e o seu tesouro. É deles, não haveria porque dividir com pessoas de fora. Mesmo o auxílio dos Homens que lhe ajudaram foi em troca de um favor futuro e de dinheiro. Ninguém ajudou eles de graça com exceção de Gandalf que é uma entidade superior. Até mesmo o nosso adorável hobbit iria receber algo pelos seus préstimos.

E Thorin jamais fala em não pagar aos seus irmãos anões e seu ladrão profissional. Ele é honesto, mas também é justo. Eles que foram até o dragão. Eles que conquistaram Érebor ainda que não tenham matado o dragão. A herança é deles. Sinto que Tolkien possa ter brincado um pouco com nosso lado de justiça com isso, embora claro que havia muito ouro para ajudar os que precisavam. Mas a questão é... É decisão de quem a escolha? Thorin sabiamente disse que não negociaria com ninguém que trouxesse um exército a sua porta como saqueadores. E nisso ele estava certo. Mas isso é algo que sempre gosto de discutir, não tem a ver com a resenha em si, haha.
As mortes são rápidas e um pouco brutais, como manda uma boa Guerra. Muitos no cinema foram pegos de surpresa. São emocionantes e você realmente sente a perda. Você torce para nessa parte o final ser diferente do livro. Mas Peter Jackson leva a risca o destino traçado por Tolkien. Fili, claro, tem a morte mais vagabunda deles.
O embate final entre Thorin e Azog poderia ter sido mais épico já que foi essa a intenção do diretor para esse filme. Há uma dispersão entre a luta final visto que além do enfrentamento Thorin fica sucessivamente combatendo contra diversos figurantes orcs randômicos como uma antiga partida de RPG da época de 8 bits. A coreografia da luta é um pouco contida e quando eu achei que o final do Azog (esse que é tipo um Galvão Bueno só narrando a batalha lá de cima de uma geleira – orcs podem ser estrategistas, mas isso foi cômico…) teria sido o Thorin jogar uma pedra em seus braços virando uma geleira eu é que gelei. Ia ser um puta final corta clima, apesar de engraçado. Há de se definir qual caminho se quer seguir... Mas há um “me mata que eu te mato” final. O anão curioso segue o vilão, por qual motivo não se sabe, até ter o pé empalado por uma espada. A luta recomeça para durar alguns segundos onde o, ainda e por um pouco mais, rei sob a montanha abre sua guarda para poder achar a do adversário.  Thorin mostra que prefere ficar por cima vencendo a luta a um alto custo. Bilbo encontra o corpo dele e há uma bonita cena que vale o ingresso.
 Amizade, uma bela lição ainda que no filme até não se mostrou tanto assim esse laço entre eles dando mais foco nesse último filme. Mas tudo bem, sabemos em nosso interior o que rolou. Assim terminado tudo que havia para ver sobre a guerra (um detalhe importante: Thorin antes de morrer vê lá do alto que as águias, sempre as águias, chegaram e estão virando o jogo ou seja ele viu que morreria vitorioso) pulamos (achei meio preguiçosa a edição do filme)  para onde os anões estão agradecendo Bilbo e isso é de partir o coração. Despedaçados pela perda de seus companheiros a companhia que restara agora liderada por Balin agradece o seu ladrão favorito. Então vemos Gandalf e Bilbo fumando um cachimbinho que traz de volta o início de tudo. Achei meio forçado as cenas finais no Condado, mas entendi que era pro hobbit dizer o que ele sentia a respeito do antigo rei sob a montanha e o que ele era do Thorin: Amigo.
Bom, apesar de todas essas críticas que muitos vão odiar ler eu levo boas memórias da jornada até a Montanha Solitária e a volta para o Condado. Sim, inclusive o terceiro filme começou mal por não ter mantido o nome “Lá e de volta outra vez” como a bonita frase do livro. Decisão de cúpula da Warner. Queriam mais dinheiro. Assim como há boatos de que haverá muitas cenas pós-crédito. Sei que assim foi feito com cada filme, mas quem paga pra ir no cinema paga pra ver o filme completo. Guardando partes boas que compõe a história para ganhar uma mascada no DVD é tapeação. Como em Thor 2 que a segunda cena pós-crédito mostrava um beijo do nórdico com sua amada Jane Foster, coisa que acho que só eu vi na sessão porque todo mundo havia ido embora. Mas era parte do filme… Em épocas de DLC, Alphas, cenas inéditas em box caros… Acho que isso é um pouco de tirar o telespectador (ou "cinemespectador", huhu) pra trouxa.
Como a Marcela me confidenciou quando ela leu o livro do Hobbit os anões não foram tão bem trabalhados como podem ser em 3 filmes com atores, etc… e que a trilogia deixa muita saudades do Thorin, Bilbo e amigos. Que esse é o verdadeiro trunfo. Passamos três anos acompanhando essa baita viagem tanto fictícia quanto emocional e chegamos a conclusão de que mesmo com tantas coisas que desagradam não há nada tão bom quanto revisitar a Terra Média e nossos bons, velhos e queridos amigos. Bom filme. Ótimo filme, huhu...



Toma Rumo Guri!!
imagens: Google imagens e  Day Montenegro.

O Juiz (The Judge)


Homem de Ferro jurídico. Sim, a resenha de hoje fala de um filme onde RDJ interpreta um playboy fanfarrão que é gênio em sua área, conquista todas as garotas em um raio equivalente a extensão de seu orgulho e tem problemas, sérios, de relacionamentos com seus consanguineos. O Juiz (The Judge, no original) mostra um personagem que Robert já está acostumado a interpretar, um cara canastrão, e por mais que o adoremos vê-lo nessa perspectiva de arrogância mesclada com humor paspalhão fica a pergunta se personagens com essa fachada não o tornam de certa forma repetitivo e lhe limitam no desafio de uma atuação. Enfim, tirando esse fato, que não vai incomodar a maioria das pessoas (inclusive a mim, passa fácil no meu maleável senso de gosto cujo único requisito é me conquistar), 

O Juiz traz um filme emocionante ainda que dentro de um filme clichê de advocacia.
Por muito tempo os filmes e seriados de escritórios de advogados (Como os de Joe Pesci e, claro, senhorita Mcbeal) conquistavam uma fatia imensa do mercado de telespectadores. Eram cenas com mudanças drásticas de roteiro que realmente deixavam as pessoas na ponta da cadeira esperando qual seria a próxima revelação tirada da maleta da defensoria. Esse tempo porém passou e só ficou a saudade de quando esse tipo de roteiro ainda nos prendia a atenção. 
Apesar dessa enxurrada de "defeitos" a película é deliciosa e você realmente não sente o tempo passar do primeiro até o último frame. Os personagens são muito bem elaborados e mesmo os menos profundos são trabalhados para ao menos não serem ocos. Aborda vários problemas que qualquer classe social pode vir a passar por mais que mascarado por um mundo dos negócios formais da elite americana. Tudo isso com um banho de talentos de RDJ e de Robert Duvall (dobradinha de Roberts, rsrs).

Hank Palmer (Downey Jr.) é um advogado estrelinha megalomaníaco de uma grande cidade cuja única alegria verdadeira resida nos vagos tempos com sua pequena filha. Enfrentando um início de divórcio, uma traição sem importância e sua rotina nos tribunais que lhe tomam toda sua atenção ele recebe a notícia de que sua mãe falecera. E é através desse óbito que um portal para sua antiga vida em uma pacata cidade de interior se abre trazendo as alegrias vividas em uma vida com menos responsabilidades e um medo e ressentimento da frágil relação mantida com seu pai, que por acaso é o juíz do pacato distrito.

Hank tem 2 irmãos cada um deles com suas particularidades. O maior possuía um grande talento esportivo e teve sua carreira finalizada por um acidente provocado pelo filho rebelde e o menor aparenta traços de altismo e sendo assim vive em uma certa desconexa realidade colocando seu pouco senso de atenção na paixão pelas filmagens. Ao voltar a cidade pequena onde cresceu logo o advogado lembra porque deixou pra trás tudo que tinha ao se digladiar ferrenhamente com seu pai. Decidido a nunca mais voltar de vez um fato inesperado lhe obriga a permanecer no lugar: Seu pai cometeu um crime e vai a juri popular por assassinato.
Vemos um filme com inúmeras cenas engraçadas que servem como alívio para as com forte apelo dramático. Somos pegos por um enredo que criar problemas sequenciais em escalas muito bem graduadas. Inclusive a debilidade da saúde do juíz vai nos sensibilizando e enchendo nossos olhos com lágrimas. 

Também tenho que mencionar a excelente atuação de Vera Farmiga que está cada dia mais bonita e é uma bela MILF. Huhu...

É um filme dentro de outro filme. Se você quer as velhas  películas de juri poderá se decepcionar um pouco com o raso conhecimento teórico onde aparentemente tudo parece um tirar leis de cartolas, ainda que o suspense pelo veredito final seja muito bem trabalhado e esperemos com curiosidade quase angustiante por ele.

 Porém por trás das batidas de martelo da lei há uma história bonita sobre famílias unidas ainda que imperfeitas, sobre juventude, sobre superação e amadurecimento. O tempo passa e a única coisa que realmente ganhamos de nossos progenitores que podemos nos orgulhar e continuar carregando são as lições de vida recebidas. Mesmo que nem sempre aplicadas da maneira mais pedagógica e sim como sentença de um juiz carrasco.

Se o filme vai ganhar algum Oscar não importa. Importa que é um puta filme que deve estar na sua lista de 2014. Um dos top 3 com certeza.

TOMA RUMO GURI!!

Annabelle


Uma coisa é certa: Hoje em dia é muito mais difícil assustar do que antigamente. Mesmo com efeitos especiais de primeira linha em contraponto dos antigos borrões e fantasias com zíper parece-me que os diretores de Hollywood se enchem de uma confiança em seus computadores apostando que alta resolução possa assustar alguém, sendo que o que nos amedronta ainda hoje é justamente aquilo que vemos muito pouco deixando nossa imaginação completar as lacunas. Além disso as pessoas são mais esclarecidas e são poucas as que ainda sentem um frio na espinha ao ver algo relacionado a fantasmas ou demônios.
Porém nos últimos filmes que veem saindo nos cinemas podemos ver uma tentativa exitosa de recuperação de velhas crenças apostando em velhos trunfos e passando-se para muitos críticos como clichês, mas para mim mostra uma reinvenção da moda antiga de se fazer um bom thriller. Invocação do Mal, Livrai-nos do mal e Annabelle tem além da inspiração de histórias reais (o que sempre dá um aperto a mais no orifício) o fato de apostarem em velhas temáticas batidas, mas exitosas e focando nas formas simples de assustar o seu público alvo.

Annabelle, como mencionei, é uma história baseada em fatos reais (embora fatos tão frágeis quanto o pano que reveste a boneca) e também é um spin-off de Invocação do mal, um bom filme com a MILF Vera Farmiga interpretando a sra. Warren, uma verdadeira caçadora do sobrenatural muito famosa nas bandas do norte e que também investigou junto ao seu marido o caso da boneca que na vida real parece a Emília. O enredo, de Annabelle, mostra uma família que toma posse do horrendo brinquedo antes do suposto caso verídico.

Depois de ganhar de presente a adição a sua coleção de uma boneca horrenda que nos faz questionar o gosto de Mia, a protagonista da película, presenciamos um bizarro ritual de uma garota que envolve o seu próprio suicídio (com o brinquedo em suas mão claro), assassinato de seus pais, além de quase um aborto da protagonista tudo isso em algum tipo de pacto confuso com o tinhoso para trazê-lo a esse plano. Mesmo após todo esse perengue a personagem interpretada por uma mulher chamada Annabelle (puta coincidência) dá a luz a uma bonita e saudável filha para quem dedica sua vida. O marido dela é um banana e serve apenas para escada para prosseguimento da história sem se perder em monólogos. Há também uma livreira que teve uma experiência pesada de sobrenatural e morte na família e encontra na problemática família uma chance de não permanecer sozinha. E claro, tem uma puta boneca horripilante. Annabelle.

Pois então, aí estão todos os elementos de todo bom filme de terror. Um homem paspalho que não consegue nem por um momento fazer frente ao perigo, uma mulher imbecil que vai sempre nos piores lugares nos piores momentos e não sabe se está ficando louca ou não, um padre representando a força do bem, mas fraquejando nos momentos de aperto, uma mulher que tem algum dom ou experiência para ajudar, uma vítima indefesa e inocente e o mal representado em uma noiva perfeita para Chucky. Com certeza o filme não é a obra-prima do sobrenatural (fica bem longe disso), mas traz uma obra com alguns sustos bacanas e que faz valer a pena perder um pedaço de final de semana nele, ainda mais se for ver filme de casalzinho.
Ainda que os sustos do filme venham em sua maioria com a alternância da intensidade da caixa de som do cinema (um truque bom e usado nos 3 filmes mencionados), tem algumas partes com sustos visuais novos (praticamente). Essa parte da foto da criança correndo em direção a câmera é muito boa, segue a foto:

Também por mais que os personagens humanos não tenham construções lá muito elaboradas começamos a ansiar por um desfecho que acabe com o sofrimento daquelas pessoas envolvidas, uma especie de sensação de mal estar alheio, um bom sinal para filmes do estilo. Não gostei muito do final que por mais que queira dar um tom mais leve pra história dá a entender, não gostaria de prolongar esse assunto dentro da resenha, que alguém se deu muito mal. Assista e irá entender. Mesmo com suas falhas é um bom filme que começa (não sozinho) a resgatar o terror para o grande ecrã. Que excelentes filmes do gênero abundem nossas telas para saciar os famintos pelo medo.

Toma Rumo Guri!!

TRG Reviews: As Tartarugas Ninja


As Tartarugas Ninja X As Tartarugas Ninjas
Antes de mais nada: Por que o nome é Tartarugas Ninja? Sim, o Ninja no singular. Não sou especialista na norma culta da língua, mas creio que o correto seria mesmo Tartarugas Ninjas, no plural ambas as palavras concordando direitinho e bonitinho. Porém há quem diga que a palavra ninja (忍者) não flexiona em número no Japão (não tem o plural, isso é verdade). Há também quem diga que elas praticam a arte de ser ninja. Porém nas traduções para o português a expressão tem que se adequar ao (veja vocês) PORTUGUÊS! Também não cola muito essa história de praticar porque nunca ouvi falarem, por exemplo, os homens corredor. Enfim, não quero cagar regra, mas não faço ideia do por que fizeram essa tradução. Agora a resenha:

Essas tartarugas tem levado a sério a malhação... Te cuida com o antidoping, Raphael...
Os quelônios mais amados da cultura-pop (sem medo de errar, não consigo lembrar de nenhuma outra tartaruga com tanta expressão) voltaram para a tela grande para mais pizza, artes-marciais e non-sense e, com certeza, nos fazer rir pra caramba. Primeiro é necessário avisar que o filme já está há algum tempo em cartaz portanto vá ver antes que tenha que alugar o DVD. Sério, é uma experiência que vale a pena. Por que eu demorei tanto para ver? Bem... Deixe-me contar uma história:

Vai dizer que não era o máximo esse grupo? =)
Minha infância e adolescência foi cercada por referências da cultura pop, porém uma das franquias que mais me acompanhou foi a desse quarteto de répteis com nomes de artistas renascentistas. Lembro de minha mãe me levando ainda infante para assistir o Segredo do Ooze (segundo filme das tartarugas que você pode ver AQUI) em um cinema que ficava, se não me engano, na Av. Padre Chagas. Cara, minha cabeça explodiu. Como eles faziam aquelas tartarugas humanoides tão perfeitas (sim, para a época, embora ainda hoje acredite que seja assim) e reais. Para uma criança qualquer coisa que levasse a alcunha de ninja era mágico, imagina quando eram quatro répteis humanizados que amavam comida italiana treinados por um rato simpático e amigos de uma jornalista gostosa que lutavam contra uma gangue liderado por um cara de armadura. E eram adolescentes. Sim, era tudo o que dava pra tentar imaginar, rs.
Santa Tartaruga!

Além disso havia o desenho que passava nas manhãs da Globo (que também era "ducaramba") e os games (ah, os games!).
Dava pra jogar de 4. =Pp

Com exceção do TMNT 1 do nes (nintendinho) que era muito ruim todos os outros jogos arrebentavam. O 3 com cenas na praia, o do Snes com um chip bem utilizado para poder jogar um inimigo na tela e, claro, a versão do fliperama que permitia (junto com um dos Simpson que guardo na memória) poder jogar com mais três amigos simultaneamente.
Doni deve ter miopia. Não sabia que era possível em répteis.

Acredito que o segredo (não do Ooze, mas dos personagens) do sucesso além de tudo isso já citado era a diversidade de personalidades. Sim, nos quadrinhos que deram vida a obra todos usavam a mesma cor de faixa e não eram bem diferenciadas, mas quando elas ganharam a mídia elas não só vieram com as já famosas máscaras roxa, azul, laranja e vermelha como ganharam personalidades bem delineadas e um humor gostoso o suficiente para marcar sua infância.
Se tamanho é documento, Donatello é o mais bem servido, huhu...

Por serem 4 irmãos com gostos e personalidades diferentes não era raro que cada criança se identificasse com uma nas suas brincadeiras. A maioria gostava do Mike (Michelangelo) por ele ser o engraçadão beirando a idiotice, mas tinha os que gostavam do lado sério de Raphael, os que curtiam a liderança do Leonardo. Alguns iam pelas armas e nesse quesito tenho pena do Rafa, huhu. Meu irmão tinha no Léo sua favorita, mas nunca descobri se foi por ele ser xará dele ou algum motivo mais profundo que isso. Eu não sei o porquê, mas minha Tartaruga Ninja preferida sempre foi (e sempre será) o Donatello. Claro que eu poderia dizer que é por causa de sua sapiência (embora sejam tartarugas e não sapos =Pp), mas eu era criança, não sei se já era esse gênio que sou hoje (huhu =Pp).
Okay. Já dei um background para vocês entenderem a importância do quarteto para a geração dos anos 80 e 90. Mesmo com o péssimo filme número 3 (no japão feudal com viagem no tempo) a gurizada realmente era apaixonada por eles. Eu tinha muito medo que eles cagassem o filme novo e por muito tempo não se falasse mais nesses animais mestres do ninjitsu, mas (felizmente) não foi assim. O filme é bom. Muito bom!
Bate-papo no esgoto.

É difícil emplacar filmes/desenhos/games que marcaram época em versão repaginada. Nos trailers eu me assustei com o semblante que Michael Bay deu para as ninjas tartarugas. E não é só por causa do bico de quelônios que não estava mais lá, mas porque elas usavam um macacão de bambu e (nos trailers) faziam piadas horríveis. Era no nível do filme do Homem-Aranha, sabe qual é? Pois então. Megan Fox também me agoniava. E ainda tinha todo um boato que elas seriam alienigenas e não mais mutações. Caraca, vê se não é motivo para tirar o sono de um fanzoide.

Sensualizando com o bloco de notas. Quem nunca? =Pp
Porém pela primeira vez na vida dou os parabéns para o Bay (não gosto dos filmes dele cheio de ação robótica e apatia de personagens) que soube transportar os elementos essenciais de Michelangelo e sua turma para a década atual dando um visual moderno, mas lá no fundo, ainda eram as mesmas humoristas comedoras de pizza treinadas por um rato e... Ah, você já entendeu o ponto.

Acabando com a magia da coisa. O detalhe é que ele tá animado. É a Megan, a gente entende, kkkk.
O filme tem ação na medida certa, com lutas muito bem coreografadas (milagre se tratando do diretor), a Megan Fox (que é muito linda) materializou bem a April e sua determinação e sede de confusão, o Splinter é bem carismático e o cameraman (que pra mim é um motorista de repórteres) completou bem o time. O ponto mais fraco com certeza foi para o Destruidor que está muito caricaturizado, um Power Ranger misturado com o Inspetor Bugiganga. Bay ainda trouxe nele sua visão de Transformers. O personagem em si (um lutador japonês) era respeitoso e quando ele obteve sua armadura tudo ficou ainda melhor. Não fossem pelos apetrechos forçados teria sido um personagem legal. Inclusive a cena final com ele enfrentando o quarteto ninja mais a gostosa é muito grandioso.

Essa cena é hilária. Vai por mim. ;]
O humor é no ponto. Embora esteja em voga o pastelão escrachado no cinema nenhum filme (com exceção de Guardiões) esteve tão bem alicerçado no fazer rir. Inclusive tirou o gosto ruim da boca dos trailers, elas (piadas) dentro do contexto ficaram muito boas. Levei a superguria para assistir, ela que não tinha essa cancha das personagens que eu tenho (fora ser muito exigente para humor), riu às veras em muitas cenas. Muitas mesmo.

Até a dublê da Megan Fox é gostosinha, kkkk. Vai dizer que ela não podia ser a April também?
Falando nas personagens, elas são muito bem construidas e você realmente fica preocupado mesmo sabendo que não vai acontecer nada aos que levam o nome no título. Mesmo assim você fica roendo as unhas (se for mulher =Pp) e embarca nas cenas recheadas de um som de qualidade e efeitos especiais muito bonitos em cenas que às vezes não tem nenhum humano (tá, tem os atores com aquelas roupas esquisitíssimas, huhu). A cena que o Splinter enfrenta o Destruidor também é muito boa e você torce para ele não morrer. Também preste muita atenção na cena na neve com o close bondoso na bunda da Fox. Para as meninas tem o destaque heróico do Raphael. u.u''

Cena final é foda demais.
Ainda vale uma última observação. Em um momento avançado do filme Mike grita o velho refrão "Cowabunga" e aqui vai um elogio aos dubladores que mantiveram o nosso "Santa Tartaruga" no lugar, visto que a expressão havaiana não é tão célebre por aqui. Talvez o ponto fraco do filme é que a versão dublada não traga as vozes dos antigos filmes e desenhos, mas os novos dubladores mandaram bem também.
Bom, se ainda der tempo corra até uma sessão que esteja passando o filme e se divirta sem medo porque o filme é muito bom. Para velhos fãs e para os novos. Tem muitaaaaas refêrencias implícitas no filme. ;] Tudo na medida certa e bem dosado.

Pra arrebatar o post fiquem aí com uma versão feminina das tartarugas.
Pra tirar tinta do rego depois deve ser difícil. Uma semana defecando verde. =Pp
Que cascos, huh?

Toma Rumo Guri!!

TRG Reviews: Lucy



Lucy é um filme que fala sobre drogas. Muitas drogas. Drogas pesadíssimas consumidas em grande escala pelos roteiristas, produtores e qualquer pessoa envolvida nesse projeto. É algo tão avassalador que sobra até para a coitada da Scarlet gostosinha Johansson que não merecia estar envolvida nisso. Só para vocês terem uma ideia a cada bloco de desenvolvimento do filme eu soltava a seguinte interjeição: “É muita maconha!”. Tentarei explicar e fazer a análise mais justa que conseguir: Foi o pior filme de toda a minha vida. Sério.

Antes um contexto: Não esperava nada do filme, tinha que matar tempo para buscar a superguria na faculdade em Sapucaia então fui até São Leopoldo (cidade metropolitana, mas distante) e não pensei duas vezes em que ia me divertir um bocadinho com a Scarlet. Infelizmente a película era dublada e isso agravou o massacre dos meus sentidos, mas creiam que de todo o conjunto da obra a dubladora com voz de velha reumática (sem querer ofender o trabalho, apenas não combinou com a jovem loira) foi o pior de meus problemas. Comprei um pacote de pipocas e uma Coca-Cola e me sentei bem no meio do cinema, um pouco a frente. Era o primeiro de uma galerinha que começava a se apinhar atrás de mim (ui!).  E aí, bem, foi desgraça atrás de desgraça.

O filme começa com a personagem que dá nome ao filme, Lucy, sendo pressionada por um grupo de tráfico a dar informações sobre um namorado que teve e é usada como cobaia em uma cena onde a tadinha fazia caras e bocas de quem sofria muito (Scarlet tem cara de que a pior dor que teve na vida foi uma unha quebrada...)0 em todo um cenário non-sense onde homens se escondiam atrás de escudos blindados obrigando a moçoila a abrir um pacote que poderia ser uma bomba ou poderia ser outra coisa. E era. Uma droga muito poderosa em forma de pó e na cor anil. Um paralelo com uma palestra da personagem do Morgan Freeman (um cientista) começa a intercalar com as cenas sôfregas da nossa Viuva Negra começam a aparecer e o homem que já apresentou ótimos programas científicos como Wormhole vê-se obrigado a falar bobagem em cima de mais bobagem sem nenhum respeito pela biologia, física ou matemática. A velha mentira dos 10% de limite de uso da mente vem como uma verdade absoluta. A palestra se estende demoradamente entrecortando com cenas nas quais Lucy é uma das cobaias (mulas de drogas) para atravessar a tal substância que daria um barato aos jovens europeus. Lucy acorda de lingerie e um corte na barriga ao que lhe é explicado  que um dos pacotes de droga foi lhe introduzido para poder transportar dentro de si a encomenda por algum aeroporto. O problema é que durante uma tentativa de abuso Lucy leva uma bicuda no estomago e a droga rompe o pacote misturando-se ao sistema orgânico da mulher. E inexplicavelmente a tal droga (uma versão sintética de uma substância presente na gravidez, e que segundo a personagem de Freeman é uma bomba atômica para o bebê) lhe concede a perfeição humana.
É muita maconha.

Os momentos iniciais da droga espalhando-se pelo corpo de Lucy é um espetáculo a parte. Além de efeitos especiais mostrando que as células estavam se agitando no interior dela como feixes de luz desconexos a atriz teve o ridículo trabalho de interpretar uma moça indo de um lado para outro, jogando-se, estrebuchando, ficando presa ao teto, depois ao solo como se seu organismo interno deteriorasse a gravidade ou ainda que as partículas que se moviam dentro de seu corpo lhe jogassem para lá e para cá ao invés de que (faria mais sentido) furassem seu tecido epidérmico. Mas ok. Passou. Foi o único aprendizado de uma mutação gigante que lhe aconteceria. Todo o resto passaria batido e sem dificuldade alguma (Nesse sentido o jogo Prototype dá de 10 a 0). Lucy ganha poderes extraordinários, mas em troca perde emoções, sensibilidade e fraquezas. Perde a noção também. Pois liga para sua mãe e começa a falar coisas desconexas como se estivesse fazendo uma declaração de amor. No máximo aquela cena serve como alerta para o que as drogas podem fazer com um indivíduo. Ela diz que lembra do gosto do bico dos seios e leitinho de sua progenitora, huhu. É muito bizarro.
É muita maconha.

O filme ainda conta com um policial que até agora não entendi muito bem o que ele deveria ser ou fazer na película. E não bastando a podridão do argumento desse filme acontece a cena de beijo mais desnecessária, vazia e dispensável já vista em Hollywood.  Lucy passa por um processo gradual aumentando percentualmente a capacidade de sua mente. Quando ela chega ali pelos 40% já consegue controlar ondas magnéticas, subjugar vontade de pessoas, dirigir com a mente, dar zoom digital no vidro do carro e até mesmo consegue, e isso é muitooooooo bizarro, tocar na cabeça das pessoas e ver o que elas estão pensando ou que memórias guardam nas sinapses mentais.
É muita maconha.

Eu me contorcia na poltrona. Não tinha uma cena que prestava mesmo depois de uma sucessão delas passando no decair dos minutos perto do fim. Só o que sentia era pena e graça. Mas a graça vinha da pena. Se fosse uma comédia até pode ser que passasse de boa, mas o filme tenta passar a maior sobriedade do mundo. Lucy em muitas cenas filosofa como se estivesse em um bar. Um dos pontos altos é a teoria da unidade fundamental que é o tempo. Se você tiver a infelicidade de assistir essa bosta (sim, estou julgando) preste muita atenção nesse diálogo. Roteirista cheirou um cogumelo selvagem.
É muita maconha.

Lucy consegue entrar em um hospital lotado com uma arma na mão e ninguém nem repara. Chega na sala de cirurgia sem ninguém perguntar quem ela era ou o porquê de estar ali. O médico quando vê ela quase oferece uma cadeira. As cenas no avião são uma zoação total. Parece mais um teste de efeitos especiais do que um filme propriamente dito. Se dissessem que aquilo tudo era um teste de CG eu levava na esportiva. Talvez.
É muita maconha.

As interpretações são fracas. Mesmo Freeman que não parece muito a vontade (talvez não tenha lido bem suas falas quando aceitou o papel)  e a própria Scarlet que está péssima embora pode ser que tenha a ver o fato de que sua personagem tenha perdido a sensibilidade. Tem que ser isso. TEM QUE SER.
No final (é um pouco de spoiler sim, mas você não vai querer ver esse filme, vai por mim) Lucy chega aos 100% de sua capacidade mental e viaja no espaço e no tempo visitando em sua cadeira executiva os dinossauros e até mesmo os macacos primitivos a quem ela troca um dedo no dedo, huhu. Depois da perfeição alcançada ela se transforma numa geleca preta e desaparece deixando um pen-drive fabricado de suas tripas que seria uma base de conhecimento infinito. Tudo isso por uma droga forte misturada ao seu corpo.
É muita maconha.

Eu entendo que filmes tem que ter um escape da realidade, ainda mais no que intencionava essa trama. Porém eles foram em um nível que é difícil até mesmo para uma criança entender como seria possível aquilo. E olha que quem está falando isso é alguém que acha plausível um guaxinim e uma árvore passearem pelo espaço em uma bonita amizade. Sério mesmo, Lucy se equivoca de uma maneira que você com qualquer base de conhecimento que tiver sai do cinema dando risada da estupidez humana. A moral da história é que não tente parecer inteligente quando você não é. Só vai parecer mais idiota.


Quando o filme terminou, sem brincadeira, eu e um cara que estava com mais duas pessoas exclamamos em uma mesma voz: “Que bosta”. Enfim, fujam desse filme. Nem tentem. É o pior filme que já vi. Repito. Nem as cenas de peitinhos balançando ajudam. Na verdade nem se Scarlet Johansson aparecesse nua e brincando de helicóptero com as pernas salvaria essa desgraça. É triste. É Lucy.

Toma Rumo Guri!!