The Last Goodbye - Adeus 2014 TRG

Bom, amigos. Este é o último post do ano. O TRG fez 7 anos agora no início de dezembro e agradeço a todos que nos acompanharam nesse último ano (e também aos que estão firmes e forte desde o começo...) porque sei que entre muitas atrações pela internet é difícil se manter fiel há alguma fonte de conteúdo. Agradeço-lhes, mas sei que é mérito, pois me dedico muito ao TRG. Ele é meu filho, ele sou eu. Sim, o TRG é minha alma virtual. Reproduz meus gostos, ainda que com um tempo limitado de minha dedicação.
Esse ano que passou investi nele com a compra de um microfone/gravador que pude usar pela primeira vez na edição desse ano da Comic-Con do RS. Na verdade a maior parte desse gravador foi um presente de meu pai que acreditou nesse trabalho que beira a uma traquinagem infantil. Agradeço a ele, agradeço a minha mãe por sempre apoiar também. Agradeço a Marcela porque além de fazer parte da equipe (na verdade ela sempre foi a segunda mão do site) sempre se desvira em divulgadora, crônista, resenhista e outros istas. Valeu.
Agradeço a todo mundo que de alguma forma participou do site seja escrevendo ou lendo as matérias. Esse ano conseguimos acessos para a Comic Con RS, para o AnimeXtreme, para a Comic Con Argentina e Sampa as quais não pudemos ir, assim como a Comic Con Experience o qual quase cheguei a aparecer por lá.
Pra 2015? Bom espero ir pra San Diego cobrir o maio evento nerd do mundo. Se vai rolar? Sei lá. Dinheiro não nasce em árvore, irmão. Vou tentar cobrir esse evento, mas não prometo. Assim como vou tentar divulgar mais, melhorar a estrutura do site e tentar perpetrá-lo para sempre na história da internet brasileira. Algumas vezes penso em desativá-lo quando vejo que um gif de uma mulher rebolando ou uma HUEragem tem mil vezes mais views e reconhecimento, mas não dá. Não consigo.
Mais uma vez agradeço a companhia de todos e desejo todas as coisas boas para vocês e famílias. Sejam felizes, vivam intensamente e continuem acessando o TRG. São mais de 300 mil views de história.
Que venham mais resenhas, mais videocasts, quem sabe podcasts? e toda sorte de postagens bacanas. Que Deus abençõe a todos nesse novo ano. Até 2015.

Ah, fiquem com a música The Last Goodbye do filme do Hobbit que assim como o ano seus filmes (polêmicos) deixarão saudades. Adeus 2014, obrigado pelos peixes. Bem-vindo 2015.



The Last Goodbye

I saw the light fade from the sky
On the wind I heard a sigh
As the snowflakes cover my fallen brothers
I will say this last goodbye

Night is now falling
So ends this day
The road is now calling
And I must away
Over hill and under trees
Through lands where never light has shone
By silver streams that run down to the Sea

Under clouds, beneath the stars
Over snow one winter’s morn
I turned at last to paths that lead home
And though where the road then takes me
I cannot tell
We came all this way
But now comes the day
To bid you farewell
Many places I have been
Many sorrows I have seen
But I don’t regret
Nor will I forget
All who took that road with me

Night is now falling
So ends this day
The road is now calling
And I must away
Over hill and under tree
Through lands where never light has shined
By silver streams that run down to the Sea

To these memories I will hold
With your blessing I will go
To turn at last to paths that lead home
And though where the road then takes me
I cannot tell
We came all this way
But now comes the day
To bid you farewell

Versão em português:


O Último Adeus

Eu vi a luz desaparecer no céu
No vento eu ouvi um suspiro
Enquanto os flocos de neve cobrem meus amigos caídos
Eu direi esse último adeus

A noite está caindo
Assim termina o dia
A estrada está chamando
E eu preciso ir
Pelas montanhas e abaixo das árvores
Pelas terras onde a luz nunca brilhou
Por riachos de prata que vão em direção ao mar

Por baixo das nuvens e das estrelas
Por cima da neve e das manhãs de inverno
Eu deixei para trás os caminhos que me guiavam para casa
E fui pela estrada em que eles me levaram
Eu não posso dizer
Nós chegamos até aqui
Mas agora chegou o dia
De dizer adeus

Já estive em muitos lugares
Já vi muitas lamentações
Mas eu não me arrependo
E nem me esquecerei
De todos que seguiram nesse caminho ao meu lado

A noite está caindo
Assim termina o dia
A estrada está chamando
E eu preciso ir
Pelas montanhas e abaixo das árvores
Pelas terras onde a luz nunca brilhou
Por riachos de prata que vão em direção ao mar

A essas memórias eu me segurarei
E vou seguir com sua benção
Para me despedir dos caminhos que me guiaram para casa
E fui pela estrada em que eles me levaram
Eu não posso dizer
Nós chegamos até aqui
Mas agora chegou o dia
De dizer adeus

Vou dar a todos um afetuoso adeus

Eras isso em 2014. TOMA RUMO GURI!!

Papo Nerd - Anão Hreidmar e a origem de o Hobbit(?)


E aí, galera? Beleza de Creuza? Rsrs.

Essa semana nem tem muita coisa para discutir. É fim de ano e as notícias nerds rareiam. Mesmo assim vim dividir com vocês um conto de um livro que estou lendo que me lembrou muito o Hobbit de Tolkien. É sabido que o mestre dos escritores medievais bebeu da mitologia nórdica com muito gosto como se fosse um chifre de hidromel, porém cada vez que você mais se aprofunda no conhecimento do panteão de deuses da Escandinava mais você nota a importância e as peças para toda essa literatura criada que temos da Terra-Média. Inclusive, baseada em Midgard, um dos 9 mundos.

Mas como disse me chamou a atenção a história do anão Hreidmar que em certa feita recebeu em sua casa como hóspedes nada menos que Odin, Loki e Honir. Só que o deus brincalhão (Às vezes confundido com maldoso) vestia a pele de uma lontra (algumas versões trazem fuinha, outras doninha) que pela manhã ele havia matado com uma pedrada na beira de um riacho e vestido sua pele como casaco. Só o que ele não poderia saber é que o tal bichinho abatido era filho (que pescava metamorfoseado) desse velho senhor anão que ao ver sua prole abatida e sem vida apontou suas armas (e a de seus outros 2 filhos: Fafninr e Regin) para as entidades e ameaçou-lhes a vida. Odin mandou que Loki desse seu jeito, afinal se comoveu do pobre anão e já que ele só bebia o néctar dos deuses era fácil apontar o dedo, e o trapaceiro comprometeu-se de ir até os reinos dos anões arranjar ouro o suficiente para forrar o couro da lontra morta por completo.
Loki enfrentou frio e fome e quando chegou ao seu destino resolveu parar para tentar apanhar comida. Nisso capturou um peixe que muito se debatia. Ao tentar empalá-lo com uma lança o bicho falou. Era mais um anão com seu truque de pesca, esse tentava fazer amizade com os nadadores, por certo, haha.
Então Loki lhe impôs a condição de que só o libertaria em troca de uma quantidade enorme de ouro. O anão que era o mais rico de todos, graças a um artefato, sem saída alguma topou o acordo. O deus forrou um carrinho de mão improvisado e encheu com muitas moedas de ouro. MUITAS MESMO. Tanto que a casa do anão ficou mais espaçosa a ponto de enxergar um quadro que lhe lembrava que tesouro algum faria ele deixar-se dominar pelo ouro. Loki também levou um anel, o Andvari, que continha uma maldição, apesar de ter o poder de encontrar mais ouro.
Loki deu para Odin o anel e o resto do tesouro para o pai do anão morto ao regressar para a casa de Hreidmar. Odin ficou impressionado com aquele artefato tão reluzente, mas o anão exigiu o anel para quitar totalmente a dívida provocada pelos deuses. Sem saída o líder do panteão nórdico se desfez do item. Ao irem embora os filhos do anão começaram a desejar o anel tanto quanto o pai que os expulsava da sala para contar o ouro em três partes. Ninguém mais lembrava de Ótr morto. Fafninr tomado pelo desejo mata seu pai e foge com a carroça de ouro no qual a peça de mais importância para ele é o tal anel. Anos depois o irmão descobre que Fafninr havia se transformado em um dragão que vigiava seu incontável tesouro.
Esse anel tem mais aparições na história intitulada O Anel de Níbelungo do qual certamente Tolkien inspirou o seu Um-Anel, porém nesse pequeno conto eu identifico bastante o próprio livro do Hobbit no qual Hreidmar assim como Thorin é tomado pela ganância (ainda que no livro de Tolkien o rei sob a montanha tenha seus direitos legítimos) e o seu filho com toda certeza tenha sido a primeira encarnação de Smaug na literatura através desse mito. Com certeza Tolkien é genial porque bebia em uma fonte que não ficava atrás na qualidade dos enredos ainda que sem regra muito rígida e nem sempre bem trabalhada na sua escrita. Porém as histórias são muito bem feitas, a maioria, e são embasadas em muito humor embora haja uma certa desconfiança no resgate por um cristão. Enfim, essa é outra história e farei uma resenha do livro por completo depois.
Bom, por hoje era só. Desejo a todos um bom natal (com ênfase nas coisas bonitas e no seu significado) e uma excelente entrada de ano.

Toma Rumo Guri!!

Versão Brasileira TRG - Especial de Natal Marvel


Thanos tem um plano para adentrar o castelo do líder dos Inumanos, Raio Negro: Se fantasiando de Papai Noel. Porém ele vai descobrir o ônus de bancar o bom velhinho. Fiquem com o Versão Brasileira, nossa nova coluna que vai traduzir as melhores produções gringas da internet. Então assistam agora essa engraçada história natalina da Marvel. Pois é, Thanos tá na moda... =Pp




Feliz natal, galera. Sãos os votos do TRG. E um conselho: Jamais peguem o Thor no colo. O.o

Toma Rumo Guri!!



{Resenha] Nosferatu - Joe Hill

   HOHOHO!! Mamãe Noel aqui veio deixar um maravilhoso presente para vocês. Hoje, noite natalina, iremos conhecer um lugar magnífico, chamado Terra do Natal. Por favor, sigam-me até o Rolls-Royce de Charlie Manx e vamos nos divertir muito! =)
capaTítulo Original: Nosferatu
Autor: Joe Hill
Tradução: Fernanda Abreu
Gênero: Terror
Páginas: 624
Lançamento no Brasil: 08/07/2014
Sinopse Oficial: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.
   Ok, antes de começar, permitam-me extravasar um pouco da minha admiração: GENIAL! CARA, EU TE AMO!! Acabou com todos os meus natais, mas valeu cada página, cada letra, meu Deus, que leitura sensacional. Hum, hum... agora já posso ser séria! Fazia muito, mas muito tempo que eu não lia um livro de terror, realmente de terror. Uma frase que costumo usar com frequência dentro desse assunto é: um escritor realmente fez um livro de terror quando este te faz se cagar de medo. Sério gente, Hill acertou em cheio nessa obra, que ultrapassou todos os limites do pavor. Provei um pouquinho dessa sensação ao ler A Estrada da Noite, mas nada pode se comparar. A começar pelas ilustrações. Diferentemente do seu primeiro romance, Hill nos presenteou com verdadeiras obras-primas descritivas de sua história. Se você não conseguir ficar realmente apavorado com a escrita, acredito piamente que as imagens darão um jeitinho em você!
Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?
Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?
   Além da escrita assustadora em si, percebi vários traços peculiares, como o fato de Joe abordar o tema do alcoolismo e drogas. De um jeito que me lembrou seu pai. Às vezes acho que ele é uma versão de SK mais atualizada. Alguns personagens estão sob os holofotes, não apenas Vic e Manx. Bing, que me dá nos nervos de tão patético que ele é, Maggie, a bibliotecária mais fodona que eu já conheci, Lou... aliás, ou estou muito enganada, ou Lou foi inspirado em ninguém menos que Hugo Reyes, o Hurley de Lost. Podem ler e tirar suas conclusões, quem for fã de Lost verá essa ligação. Espero que um dia, não muito distante, eu mesma possa perguntar ao criador dessa história. Ah, ainda tem o filho dela, o BRUCE WAYNE. Cara, esse livro é foda sob muitos aspectos! Os dois personagens principais possuem um talento para viajar pela mente, criando lugares impressionantes. O de Vic, O Atalho, permite que ela vá para qualquer lugar em que estiver pensando, com o objetivo de encontrar algo que está perdido. Não tardamos a descobrir que quando ela procura encrenca, O Atalho vai dar logo na residência do encantador Sr. Manx.
O Atalho
O Atalho
Já a mente de Charlie o leva pela estrada a um local que é uma espécie de parque de diversões natalino: lá todo o dia é Natal, as crianças o adoram! Bem, se dermos uma olhada com atenção nas crianças, veremos que elas não são exatamente bonitinhas e fofinhas. Na real, toda vez que penso nelas me lembro do Venom. Bom, lendo vocês vão ter uma ideia do que tô dizendo... Aí vão umas imagens da Terra do Natal, o mapa para se chegar lá e um encantador desenho que Millie Manx (moradora da Terra do Natal) fez para seu papai.
A Lua que banha a Terra do Natal
A Lua que banha a Terra do Natal
A Millie é artista...
A Millie é artista...
Mapa curioso, não?!
Mapa curioso, não?!
A Terra do Natal
A Terra do Natal
    Por falar nesse mapa, sabemos algumas coisas a seu respeito. Joe Hill construiu uma ponte de ligação entre todas as suas histórias, de uma maneira muito interessante. E uma coisa que Manx fala para Bing me deixa chocada!
   SPOILER
   O Verdadeiro Nó é mencionado! Tá é daí? Daí que esse romance foi escrito antes de Doctor Sleep, e Manx foi bem realista em relação ao grupo de Rosie, a Cartola. Fiquei encucada se King usou isso na cara dura, se essa parte de Nosferatu foi ideia dele... bah, teorias surgem! Por algum motivo, fiquei desgostosa com a ideia de King usando personagens do filho, não sei a razão.
Enfim, o livro é excelente sob muitos aspectos como já disse anteriormente. É divertido, Manx pode ter bastante senso de humor. Fiquei chateada com o desfecho da Vic. Acho que esse foi o único ponto negativo pra mim. E claro, acredito que as capas originais podiam ter sido mantidas, elas são bem mais legais. Então é isso, LEIAM, aproveitem cada página! Fique com mais algumas imagens e Feliz Natal!!
capa gringa
Uma das capas gringas

Amei essa capa!
Amei essa capa!




O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - por Saul Junior



“Em um buraco no chão vivia um Hobbit”.
 Assim começou a saga de uma criatura diminuta que acompanhada de um mago e de uma companhia de anões subiriam até a Montanha Solitária para recuperar seu lar de um terrível dragão. Para alegria de muitos (e tristeza de Christopher Tolkien) em dezembro de 2014 foi lançado o ultimo pedaço da adaptação em três partes daquele pequeno livrinho (sem qualquer conotação no emprego do diminuitivo) para o grande ecrã onde Peter Jackson nos brindou com muitas coisas boas e algumas odiosas. Não, não falo apenas da Tauriel. =Pp
Se você não viu o filme saiba que vale muito a pena vê-lo. É sempre legal, usando o mais simples dos adjetivos, ver a Terra Média representada em qualquer mídia que for. A versão cinematográfica da obra de Tolkien dura um pouco mais que duas horas (fugindo a regras dos mais longos anteriormente) e tenta agradar a todos. Tem uma Guerra pipocando, lutas épicas, tem comédia escrachada, tem ação, tem romance (ainda que confuso) e assim vai até o fim. Há também as lindas tomadas da Nova Zelândia caracterizadas para dar vida ao Condado e outros lugares desse mágico lugar. O roteiro não me agradou da maneira como conduziu as cenas, como foi feito os cortes e achei que muita coisa foi jogada, mas nada que comprometa a jornada que Peter Jackson propôs dando vida aquele bando folgado de anões (hehe) e seu ladrãozinho contratado. Pode ir na fé que é diversão para você, namorada, papagaio e o que for. Mesmo como fã, a menos que você seja um xiíta brabo de Mordor ou um purista, você vai gostar de muitas cenas. Não posso deixar de ser sincero e apontar vários “solavancos” não tão raros no filme que te fazem cortar um pouco o embalo e te tirar daquela imersão. Esse é um resumo. Agora quero deixar meu lado nerd comentar o filme às veras…
Update: Vi o filme uma segunda vez e desliguei totalmente o modo crítica, ignorando vários filtros, e o filme é mesmo mais divertido quando você se deixa levar pela empolgação e pelo modo Coca-Cola, Pipoca e vibração, haha...

Bom, se você não viu o filme e não quer spoilers, ainda que alguns sem importância, pare por aqui. Eu avisei.

Antes de começar a tecer meus comentários sobre o filme quero dizer que fiquei 10 minutos na fila para comprar a pipoca mais intragável que comi em minha vida. Puta que pariu, Cinema Itaú  do Bourbon Country, vão se catar com esses pedaços de isopor que vocês chamam de pipoca. A pior de toda Porto Alegre…
Update: Essa segunda vez fui ver no Imax do Bourbon Wallig e duas coisas podem ser ditas com certeza: 1) O Imax realmente dá uma força maior para qualquer filme, é um 3D mais vem feito e claro além de excelente sistema de som, teve pedaços de telhas voando que eu me esquivei além de contemplar o focinho do Smaug, o terrível, em terceira dimensão bem na minha frente... 2) Pipoca quentinha e com gosto de... vejam vocês... Pipoca!

Beleza, agora sim, a resenha…

O que eu achei do filme? Embora um misto de emoções diferentes tenham me assaltado durante um pouco mais de duas horas acredito que a resposta mais franca seja que achei a película com um roteiro bem fraco e que se salva pela força dos personagens e pela emoção injetada empregada pelas batalhas que são cheias de ação, mas muito jogadas ao acaso. Há uma falta de contextualização em muitas das partes do filme. Cada um terá sua percepção, mas haviam inúmeros fatos que a todo momento me tiravam do contexto do filme. E não, não vou falar que Tauriel não é um personagem de O Hobbit (ela está lá, fazer o quê… Resta aceitar e ver o filme) e que isso ou aquilo não é exatamente igual ao livro.Só é bom manter os olhos em uma frase do próprio Tolkien: ”Os cânones da arte narrativa em qualquer mídia não podem ser completamente diferentes; e o fracasso de filmes ruins com frequência está precisamente no exagero e na intrusão de material injustificado que se deve a não-percepção de onde o núcleo do original se situa.”. Frase sobrescrita por Sergio Ramos em uma boa resenha.
A película começa embalado pela ação entrecortada de um filme para o outro. Depois daquele enorme troféu imprensa anão de ouro líquido o Smaug partiu furioso contra a Cidade do Lago. A cena inicial de Smaug tocando o terror é cheio de efeitos, explosões e destruições. Tudo muito bonito e trabalhado. Bard consegue se soltar facilmente de sua prisão em uma cena bizarra pra caramba onde o pescoço do Mestre da cidade é mais forte que uma parede de madeira preparada e parte para o seu momento glorioso: Matar a fera. Praticamente é o trabalho de sua vida.
Muita gente reclamou da balestra de anão já que no livro o instrumento utilizado era um simples arco, porém esse foi sem dúvida o menor dos problemas desse pedaço do filme. Não sou daqueles caras chatos que acham que tudo tem que ser idêntico a obra original literária, afinal, se soubéssemos o que vai acontecer de cabo a rabo cadê a graça, certo? Porém sou sim a favor da não desvirtuação de personagens (tipo mudar totalmente seu jeito, personalidade ou atitudes…) e nem que seja um pouco da factualidade em um filme de ficção. Um dragão voador que fala pra mim está ok, porém um dragão que conversa e age como um vilão de desenho animado foi frustrante. Confesso que ao ler o livro senti uma certa decepção na maneira como Smaug, o tirano, parece mais o Smaug, a Lagartixa de Cristal. Minha grande esperança era que PJ levasse a cabo um final mais real e emocionante para o grande réptil antigo. Mais ou menos como fizeram no O Nevoeiro onde um pequeno ponto a mais (no caso do final) tornou o filme tão interessante quanto o conto do próprio Stephen King. Porém como mencionei Smaug ficava soltando frases do tipo “Olha eu vou te matar, hein”, “Vou mesmo…” e “Quem avisa amigo é…” (óbvio que não exatamente essas) que poderiam ter dado um resultado mais favorável para a salamandra gigante se ele simplesmente tivesse voado para cima de Bard e seu filho presos no alto de uma torre de madeira ou mesmo esbaforido algumas chamas mortais fazendo um churrasquinho maneiro. Mas não, foi mais digno de Tom e Jerry um discurso até que Bard usasse o pescocito e ombro de seu filho querido como alavanca para sua flecha negra atravessar o ponto fraco da vil criatura faladeira. Essa tática do PJ teve mão dupla, pois é muito surreal usar o filho como arma, mas ao mesmo tempo dá uma ideia de sacrifício e confiança. “Vira a cabeça mais pra direita por favor…”. Embora caía no mesmo ponto onde mesmo a ficção precise de algo sólido para se apoiar. Daí Peter Jackson nos dá uma cena foda do Smaug voando desengonçado até sua língua desenrolar em slow motion em uma agonia pré-morte onde ele cambaleia para o esquecimento. Essa parte sim foi, como disse, fodástica. Em Imax ver esse pedaço do filme ganhou uma nova beleza. O dragão era tão real. Fora isso foi legal (menos pro povoado, rsrs) ver um dragão enfurecido rasgando os céus e arruinando uma cidade com todo seu poder. O único adendo é que realmente poderia ter sido mais agradável se o Smaug fosse morto  em batalha e não em um bate-papo. Quando ele morreu, aquela criatura incrível, lamentei em partes por ser um personagem realmente incrível como o são todos os dragões.
Após a morte de Smaug o foco volta para os anões. Os salões de Erebor podem ser novamente tomados visto que o perigo foi dissipado. Confesso que foi meio estranho ver a tomada por completo dos salões de tesouro. Foi meio que Thorin Forever Alone. Senti falta de um Tio Patinhas Mode em mergulhos nos salões coberto por tesouros. Achei meio oco as cenas deles procurando a Arken Stone. Enquanto o anão-mor é tomado pela tal “doença do dragão” vemos que Gandalf está apanhando mais que boi bandido em Dol Guldur. Galadriel, Saruman e Elrond chegam para ajudá-lo (Radagast também, rsrs.) tomando conta da situação.
  Essa cena tem um molde feito para fãs do tipo "Imagina se" ou "quem ganharia...", mas deixa um pouco mal explicado para quem não é fã, embora nos EUA seja praticamente um livro obrigatório (inveja), quem são aqueles "fantasminhas" embora nossa musa da Middle Earth chegue recitando o poema clássico da contagem de anéis por raça dando a dica.
 A respeito dessa cena (eu sei, desculpa fazer tantas críticas, rsrs) acho muito vazia mostrando apenas alguns takes mostrando os caras mais fodas da Terceira Era (e de outras, rsrs) dando um corridão no Sauron. Mas e depois? O que houve? Sauron aprendeu sua lição e jamais voltará? Sabemos que não. Há boatos que existe preparado um caminhão de cenas estendidas, mas… Bem, depois pequeno gafanhoto, depois… Saruman dizendo que iria atrás de Sauron para "detê-lo" até deixa implícito o que aconteceu...
Aproveitar que estou com o queijo e a faca na mão (na verdade a espada élfica e as lembas) e matar (Não, ainda não é o rei sob a montanha, rsrs) dois plots que pra mim mais afundam que ajudam o filme. Temos o Alfrid (outro personagem inventado e que segue a linha do Língua de Cobra) que após o Smaug ter caído (e provavelmente matado-o) em cima do rei (Mestre, na verdade) da Cidade do Lago vemos que Bard toma a iniciativa de guiá-los até a Montanha Solitária tentando conseguir provisões e dinheiro com os anões. Porém o uso do personagem é forçado demais. No início você sente uma certa graça. Mas aí vem a insistência autoral do PJ em mostrar que o cara é um covarde e em inúmeras cenas você vê sempre a mesma ladainha reforçando o óbvio até culminar na cena patética e sem graça dele vestido de mulher e apalpando os peitos falsos. Okay, a primeira vez ele escondido do trabalho como velhinha embaixo de um véu está até aceitável, mas ele ajeitando o soutien… Nossa. Nem tem o que falar. É tipo a piada do anão pintudo no Segundo filme. Grosseira. Não combina com a temática do filme, nem remete com a classe da versão literária.
Falando no casal interracial por mais que ache uma perda de tempo criar um personagem para uma trama que já tem tantos e alguns anões, por exemplo, passaram batidos em desenvolvimento acho que o pior de tudo nem é o romance em questão, mas sim que não deu pra sacar o que o Peter Jackson (e/ou o Guilhermo Del Toro) quiseram passar. Não me venha com essa de fica a livre interpretação que nesse caso não cola. Veja bem há uma pista de que talvez a Kate pudesse ser mãe do anão com cara de modelo de cueca. No terceiro filme muitas coisas batem, pois a elfa diz que andou por aí, tem o significado da pedra, alguns olhares estranhos. Até a hora que ela beija ele não dá pra ter certeza de nada. Beijo póstumo, é verdade, necrofilia pegando, haha. Aliás nem depois do ósculo consigo ter total clareza dos fatos. Ficou uma trama subdesenvolvida. Nem sequer sabemos o que acontece com ela. Na minha opinião ela deveria ter morrido também. Esses dias vi uma pergunta em um fórum se ela devia ter ficado com Legolas ou com Kili. Eu acho que ela deveria ficar com o ostracismo.
Mas nem tudo são horrores. A parte da Guerra dos 5 exércitos (que dá nome ao filme) é muito boa. PJ se tornou um especialista em elaborar cenas assim. Batalhas é com ele mesmo.


Cabeças rolam ainda que contidas e disfarçadas por truques para evitar restrições etárias mais rígidas. Boa, mas não sem ressalvas, pois há coisas lá especialmente para irritar. Os cortes são brutos e as continuações seguem uma ordem meio aleatória. Noto que o povo leigo ficou viajando em quem seriam os 5 representantes da tal Guerra. Só pra constar: Anões, elfos, humanos, orcs e as águias. No meio deles apareceram trolls, minhocas gigantes, Beorn em uma aparição pra lá de legal de 2,5 segundos (hueheue) e por aí vai.
Dáin, o Pé de Ferro é um puta acerto. Ele e os anões sob seu poder dão toda uma nova vida ao filme. Vejo nesse caso um tipo de comédia mais adequado a filmes “medievais”. Risos sobre modos trogloditas, haha. Gandalf até diz que Thorin é o mais sensato da família. Sua montaria, o porco pulador é um espetáculo a parte. Spoiler: Fiquei muito triste com essas mortes: O porco e o Alce do Thranduil. ='(
 As estratégias da batalha novamente tem suas falhas. Os elfos se aproximando de Erebor é fantástico, mas na hora de anões e “fadinhas da floresta” se juntarem em um mesmo time os anões se protegem com escudos e os elfos… Saltam por cima como libélulas livres para alçar vôo. Poxa, a coisa mais fácil era um orc enfiar uma lança no… hã… pé de um dos soldados. Visualmente é bonito o vôo das maritacas élficas, mas em uma guerra muito descabível. Também não comprei muito a idéia de que mendigos humanos conseguissem muitas coisas não. Há ainda, novamente, a supervalorização de Bilbo (que apesar de ficar bastante tempo off) se torna um grande lutador sem precisar do anel para acertar criaturas com o dobro de sua força. Gostei dele usando pedras para acertar trolls, uma coisa meio Davi x Golias. Mas o lado espadachim dele é a habitual deturpação de personagem. Heróis nem sempre hão de usar a força. Também me chamou atenção que não importa se de um lado há um anão com uma espada e do outro um brutamontes orc com superforça e uma arma mil vezes mais pesadas o impacto das forças opostas se anulará em um “Tlink” no ar e as armas ficarão segurando uma a outra paradas, equivalem-se magicamente. Eu relevo o Légolas pulando pedrinhas,

 mas tem coisas que chamam bem a atenção. Aí já é demais. Pô, uma clava teria jogado Thorin longe ou rachado sua cabeça.
Falando no anão principal… Achei muito mal desenvolvido o jeito que o Thorin se cura da tal enfermidade. Em um momento ele está acusando seus irmãos e deixando Dáin se furunfar lá fora da montanha, na outra ele se olha em um reflexo e tem uma puta mudança de consciência. Se no Segundo filme o GoPro deu uma estranheza, a cena da confusão de identidade do rei sob a montanha não fica atrás. Creio que o desenvolvimento poderia ter sido mais refinado. Um exemplo bacana é de quando o rei anão pega o hobbit com uma noz do jardim do Beorn e eles falam sobre amizade e há um clima muito bacana que rapidamente é cortado quando Thorin ouve que os elfos estão chegando para pegar o seu tesouro e ele tem uma mudança de um sorriso amigo para a expressão de um psicopata guerreiro. Ali foi bem trabalhado esse lado ao invés daquele efeito escroto de chão de ouro movediço lhe engolindo. Credo.
 Outra coisa que queria falar a respeito do Thorin: Tanto no livro quanto no filme acho que as pessoas enxergam ele e sua paixão pelo dinheiro de maneira equivocada. Na verdade eu acredito que o anão está certo no que ele defende e até vemos um pouco disso em algumas partes da película. Thorin e sua trupe estão indo recuperar o seu lar e o seu tesouro. É deles, não haveria porque dividir com pessoas de fora. Mesmo o auxílio dos Homens que lhe ajudaram foi em troca de um favor futuro e de dinheiro. Ninguém ajudou eles de graça com exceção de Gandalf que é uma entidade superior. Até mesmo o nosso adorável hobbit iria receber algo pelos seus préstimos.

E Thorin jamais fala em não pagar aos seus irmãos anões e seu ladrão profissional. Ele é honesto, mas também é justo. Eles que foram até o dragão. Eles que conquistaram Érebor ainda que não tenham matado o dragão. A herança é deles. Sinto que Tolkien possa ter brincado um pouco com nosso lado de justiça com isso, embora claro que havia muito ouro para ajudar os que precisavam. Mas a questão é... É decisão de quem a escolha? Thorin sabiamente disse que não negociaria com ninguém que trouxesse um exército a sua porta como saqueadores. E nisso ele estava certo. Mas isso é algo que sempre gosto de discutir, não tem a ver com a resenha em si, haha.
As mortes são rápidas e um pouco brutais, como manda uma boa Guerra. Muitos no cinema foram pegos de surpresa. São emocionantes e você realmente sente a perda. Você torce para nessa parte o final ser diferente do livro. Mas Peter Jackson leva a risca o destino traçado por Tolkien. Fili, claro, tem a morte mais vagabunda deles.
O embate final entre Thorin e Azog poderia ter sido mais épico já que foi essa a intenção do diretor para esse filme. Há uma dispersão entre a luta final visto que além do enfrentamento Thorin fica sucessivamente combatendo contra diversos figurantes orcs randômicos como uma antiga partida de RPG da época de 8 bits. A coreografia da luta é um pouco contida e quando eu achei que o final do Azog (esse que é tipo um Galvão Bueno só narrando a batalha lá de cima de uma geleira – orcs podem ser estrategistas, mas isso foi cômico…) teria sido o Thorin jogar uma pedra em seus braços virando uma geleira eu é que gelei. Ia ser um puta final corta clima, apesar de engraçado. Há de se definir qual caminho se quer seguir... Mas há um “me mata que eu te mato” final. O anão curioso segue o vilão, por qual motivo não se sabe, até ter o pé empalado por uma espada. A luta recomeça para durar alguns segundos onde o, ainda e por um pouco mais, rei sob a montanha abre sua guarda para poder achar a do adversário.  Thorin mostra que prefere ficar por cima vencendo a luta a um alto custo. Bilbo encontra o corpo dele e há uma bonita cena que vale o ingresso.
 Amizade, uma bela lição ainda que no filme até não se mostrou tanto assim esse laço entre eles dando mais foco nesse último filme. Mas tudo bem, sabemos em nosso interior o que rolou. Assim terminado tudo que havia para ver sobre a guerra (um detalhe importante: Thorin antes de morrer vê lá do alto que as águias, sempre as águias, chegaram e estão virando o jogo ou seja ele viu que morreria vitorioso) pulamos (achei meio preguiçosa a edição do filme)  para onde os anões estão agradecendo Bilbo e isso é de partir o coração. Despedaçados pela perda de seus companheiros a companhia que restara agora liderada por Balin agradece o seu ladrão favorito. Então vemos Gandalf e Bilbo fumando um cachimbinho que traz de volta o início de tudo. Achei meio forçado as cenas finais no Condado, mas entendi que era pro hobbit dizer o que ele sentia a respeito do antigo rei sob a montanha e o que ele era do Thorin: Amigo.
Bom, apesar de todas essas críticas que muitos vão odiar ler eu levo boas memórias da jornada até a Montanha Solitária e a volta para o Condado. Sim, inclusive o terceiro filme começou mal por não ter mantido o nome “Lá e de volta outra vez” como a bonita frase do livro. Decisão de cúpula da Warner. Queriam mais dinheiro. Assim como há boatos de que haverá muitas cenas pós-crédito. Sei que assim foi feito com cada filme, mas quem paga pra ir no cinema paga pra ver o filme completo. Guardando partes boas que compõe a história para ganhar uma mascada no DVD é tapeação. Como em Thor 2 que a segunda cena pós-crédito mostrava um beijo do nórdico com sua amada Jane Foster, coisa que acho que só eu vi na sessão porque todo mundo havia ido embora. Mas era parte do filme… Em épocas de DLC, Alphas, cenas inéditas em box caros… Acho que isso é um pouco de tirar o telespectador (ou "cinemespectador", huhu) pra trouxa.
Como a Marcela me confidenciou quando ela leu o livro do Hobbit os anões não foram tão bem trabalhados como podem ser em 3 filmes com atores, etc… e que a trilogia deixa muita saudades do Thorin, Bilbo e amigos. Que esse é o verdadeiro trunfo. Passamos três anos acompanhando essa baita viagem tanto fictícia quanto emocional e chegamos a conclusão de que mesmo com tantas coisas que desagradam não há nada tão bom quanto revisitar a Terra Média e nossos bons, velhos e queridos amigos. Bom filme. Ótimo filme, huhu...



Toma Rumo Guri!!
imagens: Google imagens e  Day Montenegro.

A Batalha dos Cinco Exércitos - Por Marcela Bezerra

   
OBS.: contém uma caralhada de spoilers. Leia por sua conta e risco.

   E então, o final chegou. O final de uma saga de três filmes, que de início me fez pensar que era "uma cilada, Bino". Acredito que muitos pensaram desta forma e ficaram apreensivos, afinal, um livro que nem era realmente grosso renderia roteiro para TRÊS filmes? Antes de deixar minhas impressões, gostaria de dizer que nunca fui super fã de Tolkien, daqueles que sabem suas obras de trás pra frente, tudo sobre sua vida, etc. Na verdade, até 2011 eu não curtia nada dele, com base na péssima experiência de leitura que tive com SdA anos antes. Orgulhosa como sempre fui, não permiti pensar que a leitura foi ruim por não entender diversas passagens, e sim que a história estava mal escrita, que ele era um drogado/pirado e o que mais tivesse passado pela minha cabeça à época. Isso não me impediu de respeitar e até mesmo admirar o fascínio que meu melhor amigo possuía por ele e seu universo. Tanto que o presenteei com as principais obras em 2010. Um ano depois, resolvi pegar O Hobbit na estante dele e ver se poderia desfazer minhas impressões. O mundo mudou a partir daquele instante...
   Conhecer a Terra Média foi algo mágico, abriu minha mente, me fez desejar ser um elfo (e eu pensando que elfos eram tipo os do Harry Potter)... bom, quem nunca quis ser uma criatura deste universo que atire a primeira pedra. A leitura foi tão boa que depois li SdA. E amei. Acho que foi melhor do que se tivesse gostado de cara, naquela primeira vez.
Em 2012, finalzinho, veio o primeiro filme d'O Hobbit. E eu com aquela cara de "vem merda por aí". Achei o primeiro filme até bem fiel, estranhei um pouco alguns anões... bem, eu fazia uma ideia diferente de como eles eram, o Fili e o Kili por exemplo, eles nem tinham cara de anões, até imaginava eles meio crianças na história. Fiquei boiando com aquela aparição do Frodo, mas depois que entendi achei genial. Um ano depois, voltamos a nos ver e lá fui eu criticar: mas que droga de personagem é essa Tauriel? Ela nem está na história e ainda por cima chega pra fazer triângulo amoroso com um anão que não parece um anão e o Legolas, que também não tá nessa história! Entre outras coisinhas. Porém, tinha uma coisa esplêndida acontecendo. O relacionamento entre todos, que até é bem superficial no livro (ele não é um livro denso, já disse), estava sendo explorado de uma forma muito bonita, principalmente entre Bilbo e Thorin. Aquela amizade acertou em cheio meu coração. Além disso, Smaug não poderia estar mais perfeito e assustador. O final deixou todos aflitos pelo último filme, e tivemos que esperar mais um ano.
   Mesmo ansiosa pelo desfecho, contando dias, quando chegou a hora de assistir confesso que fiquei com um aperto de saudade antecipado. Porém, de uma coisa tinha certeza absoluta: o filme não me pegaria de surpresa, já sabia tudo que iria acontecer, nada me afetaria. Nossa, como estava enganada...
  O filme começa exatamente de onde parou o segundo. Vemos Smaug estraçalhando toda a cidade, e então Bard aparece para salvar a todos. Confesso que esse destaque que deram ao personagem ficou muito bom, foi super bem explorado. Gostei bastante. Destaque incrível também dado à "doença" de Thorin. Podemos vê-lo enlouquecer gradativamente, preocupando seriamente seus companheiros anões e Bilbo. Nesse meio tempo, o Gandalf tá para virar comida de Orc, quando Galadriel e sua turma aparece para salva-lo. Se aqui eu já achei forçado, imagina como fiquei depois! Tudo bem, entendo que Jackson precisava dar grandes emoções ao filme, mas rélou, a história não era essa. Incluir uma personagem nada a ver com nada já foi esquisito, aquilo ali foi no mínimo desnecessário. Cena ficou legal? Ficou, mas não curti ela inserida no filme, apesar de saber que ela tinha um propósito maior.
   A guerra foi bem destacada também, muito mais do que eu esperava. Engraçado é que enquanto via o filme, ficava pensando no tipo de missão eles colocariam na última parte do jogo lego! E as baixas começaram a aparecer. Foi um choque e tanto quando o Fili morre, porque de verdade, não tava esperando naquele momento. Dei um gritinho no cinema e caí num choro muito sentido. Logo depois, Kili não demora a ter o mesmo destino. Nesse momento, apesar de muito triste, estava tendo um troço já, para entender logo qual era a da Tauriel. Tava quase acreditando que era a mãe perdida do coitado, quando ela beija o cadáver. Acho que preferia que ela fosse a mãe perdida, no fim das contas... Achei a batalha entre Thorin e Azog simplesmente épica, e apesar de saber o destino de Thorin, fiquei arrasada, completamente arrasada. A despedida do Bilbo então, nossa. Achei que nunca mais fosse parar de chorar. Como disse anteriormente, a amizade entre esses dois foi explorada de uma forma muito bonita e verdadeira.
   No final do filme, podemos entender de forma bem clara o que Jackson quis fazer desde o início, inserindo personagens que originalmente não estão na história: tudo se encaixa para dar início à jornada de destruição do Anel, embora os personagens não soubessem disso ainda. E quando voltamos aos "dias atuais", com o Bilbo já velho, vemos que aquilo se passa exatamente em seu aniversário. Porém, o mais importante não foi essa poderosa ligação entre os filmes que Jackson criou, e sim o que ele fez com os personagens. Foram tão bem explorados, ficaram tão conhecidos nossos, que passaram a fazer parte de nossa vida e ser nossos amigos. Impossível não sentir uma saudade imensa, já na hora em que os créditos sobem.



Entrevista com Felipe Veiga Ramos. Programador, fanático por Tolkien e... cego.



Felipe Veiga Ramos gosta de computação, Harry Potter, Game of Thrones entre outras coisas, mas não esconde sua paixão latente pelos livros de Tolkien. Ah, ele também é cego esqueci de dizer. Mas se você ficou espantado ou não entende como alguém que não tem o sentido da visão pode gostar de tanta coisa presta atenção nessa entrevista que fiz com ele sobre como é a vida de alguém que não enxerga, mas que não deixa de fazer as coisas que gosta. Confere aí o papo que tive com ele:   

Esse é o Felipe, posando na frente de um painel com um crachá de evento, e essa é a legenda de uma imagem que pode facilitar a vida de quem não enxerga. A dica é dele mesmo.


TRG - Felipe, lhe conheci em um grupo de Facebook onde notei que você conhecia bastante sobre o universo de Tolkien. Deixe-me lhe perguntar: Quais são seus gostos? Quais seus livros, filmes, séries favoritos? Deixe-nos conhecê-lo um pouco melhor...
Felipe - No geral sou bastante eclético. Quanto a livros: O Senhor dos Anéis - e todos os livros do Tolkien - ocupam o primeiro lugar numa disputa acirrada com Crônicas de Gelo e Fogo, do Martin.
Harry Potter, Anita Blake, Os Cárpatos, Dark Hunters, Ayla, Saga da Herança e Crônicas de Matador do Rei, Crônicas Vampirescas e as Crônicas Mayfair são uma - muito pequena - amostra dos meus gostos literários. Quanto a séries, Game of Thrones, o Mentalista, CSI, Sobrenatural (até a 5a temporada), Plantão Médico, The Fades, Mental, Lei e Ordem, Hanibal, Grey's Anatomy, Além da Imaginação e American Horror Story estão na lista. Para filmes, gosto bastante de assistir adaptações de livros que li e filmes em geral de terror e suspense.

TRG - Você tem um gosto admirável. Porém você tem uma particularidade que lhe exige mais esforço do que a maioria: Você é cego. Primeiro, se me permite perguntar, você perdeu a visão aos poucos ou nasceu sem enxergar?
Felipe - Mais esforço é algo meio relativo, hehe. Enfim, fiquei cego com um ano e meio, tive câncer na retina. perdi de forma gradativa, mas rápida. Claro, como era muito novo não lembro de absolutamente nada.

TRG - Entendo. Quando tomam conhecimento que você lê livros e tem uma vida bem ativa em redes sociais (como Facebook) devem ficar bem espantadas, pois a maioria das pessoas desconhece ou não param pra pensar que existem muitas outras maneiras de adquirir conhecimento ou se divertir. Você poderia nos contar um pouco de como funciona para você? Você lê em braile ou usa um software que recria a fonética das palavras para você acompanhar via áudio?
Felipe - Eu utilizo o braille normalmente. fui alfabetizado usando braille. No entanto uso muito mais o computador, logo utilizo muito mais leitores de telas. Hoje em dia quase não leio livros em braille pra ser franco, mais com auxílio do NVDA - um leitor de telas, mesmo. 



Leitura Nerd - 'Salem


'Salem
Editora:Ponto de Leitura
Páginas: 576
Autor: Stephen King

Antes de mais nada peço desculpas pelo spoiler, mas é tradição na tradução desse livro no Brasil que antes mesmo que você abra a capa você fique completamente por dentro de que é um livro de vampiro.  Truque de marketing barato que não se importa muito com a experiência da leitura, mas sim no vil metal. Enfim, isso acaba não importando tanto assim (Embora seria muito mais legal se eu tivesse embarcado as cegas, confesso - A versão que eu li se chamava a Hora do Vampiro (Objetiva) e mesmo nesse título relançado mais bacana consta na capa "Anteriormente publicado como...").
Esse na teoria é o segundo livro de Stephen King conforme manda o cânone do mestre do terror, mas na verdade não é bem assim. Depois da história de Carrie (aquela, a Estranha) ele escreveu pelo menos mais dois romances. Na verdade ‘Salem (Nome original) é lá pelo quarto ou quinto livro do tio King. Mesmo assim verdade seja dita: Vai escrever bem e construir personagens lá na pqp. Você fica um pouco confuso no início, pois nos é apresentado na trama um menino e um homem. Não são parentes, mas ao mesmo tempo tem uma ligação forte baseada na proteção mútua e em algum medo. Então é descortinado a história de uma cidadezinha de interior chamada “’Salem Lot” cujo nome se originou de, pasmem vocês, uma porca gorda de um, provavelmente, mais gordo ainda fazendeiro. Stephen King dá vida para toda uma população de uma cidade fictícia que iria aparecer em outros contos dele.
Ben Mears é definitivamente o personagem principal. Escritor de livros populares e com crítica dividida (lembra alguém? Aliás foi  o primeiro de todos os personagens colegas de profissão que King daria vida) cujo uma fantasia surreal na infância lhe leva a cidade onde passou parte da infância com o objetivo de escrever um novo livro e de quebra expurgar alguns demônios pessoais de sua mente. Porém ele chega em um péssimo momento, pois há duas novas pessoas na cidade que reativam o mal do símbolo de tudo que é ruim na cidade: A casa Marsten.

Toda cidade interiorana tem um lugar assim. Um símbolo de todo os temores da juventude, um lugar macabro rodeado de histórias fantasmagóricas. E esse lugar no livro ocupa uma posição de destaque sendo um dos pontos elaborados para King ocultar o mal até a hora certa.
Susan é uma luz para os olhos abatidos em um ambiente que vai se tornando tão hostil. Tão doce, mas também tão teimosa. Desprendida do alto moralismo de cidades interioranas e decidida acaba se envolvendo com Ben apesar dos apupos de sua mãe. Além dos dois você conhecerá muita gente, pois para o livro funcionar Stephen tem  que dar personalidade e vazão diferente para muitas personagens dando um contexto para uma cidade realmente viva. Você precisa temer por cada personagem.
Há também um professor que curte um bom rock’n’roll e capta as coisas de primeira (ele é praticamente o dono das regras, todo filme de vampiro ou aberrações fantásticas tem um), um padreco que oscila em sua fé e um médico que não adiciona lá muita coisa na história, mas por fazer parte do time você agrega de boa. E um garoto que é simplesmente um gênio como geralmente o são os infantes das tramas do Stephen.

Pessoas começam a morrer na cidade, inclusive duas crianças e um cachorro que são o estopim, e Ben junto com um novo empreendedor na cidade viram o foco da polícia por serem visitantes de uma cidade tão pacata.
O lado do mal é previsível. Se vampiros infestam a cidade sempre há um cabeça por trás de tudo e nesse caso - - - - - - - - - -  A partir daqui começam os spoilers, pule para a parte preta que onde estiver vermelho tem revelações de trama. Eu avisei... - - - - - - - esse homem é Barlow, o vampiro-mor. Eu imagino ele usando uma cartola, não lembro se de fato ele usa (risos), e ele até é um cara casca grossa (páreo impossível para um humano), mas a luta final acaba sendo meio brochante o que é costumeiro  vindo de Stephen King. Não falo nem em questão de conclusão insatisfatória, mas em casos de poderes tão discrepantes entre os dois lados ele sempre opta por uma maneira de solução menos épica e mais embasada na realidade, mas também bem chatinha. Vencer escondidinho. Mas talvez não houvesse outro jeito.
Outra coisa que não desce na garganta é uma das mortes do livro. Não revelarei quem é (mesmo sendo uma área de spoiler) para não estragar a surpresa dos curiosos, mas assim como em Celular (dele também) é uma daquelas perdas que demoram pra digerir. Seja como for pelo menos faz sentido diferente da morte mencionada no livro de zumbis de SK que parece ser uma das piores mortes já provocadas do nada pelo tio King.

‘Salem, ou o A Hora do Vampiro, é um livro divertido e difícil de largar. As partes mais chatas são as que envolvem a cidade como um todo, suas rotinas e costumes, e as mais legais são a cada revelação de quem são as criaturas habitantes da casa Marsten.  Vale muito a pena a leitura e ver qual é a versão dos dentudões segundo o mestre do terror moderno.
   
Ah, as cenas dos vampiros voando pela noite e arranhando as vidraças como cachorros cavocando a terra é de arrepiar, haha. Sim, King mantém a tradição de que um vampiro só pode entrar se for convidado, mesmo que ele esqueça disso durante alguns pedaços do livro. O livro deixa margens para continuação e o próprio SK já pensou em fazer uma história a partir de um dos membros do grupo que citei, mas aparentemente abandonou essa idéia para sempre.

Toma Rumo Guri!!