'Salem
Editora:Ponto de Leitura
Páginas: 576
Autor:
Stephen King
Antes de mais nada peço desculpas pelo spoiler, mas é
tradição na tradução desse livro no Brasil que antes mesmo que você abra a capa
você fique completamente por dentro de que é um livro de vampiro. Truque de marketing barato que não se importa
muito com a experiência da leitura, mas sim no vil metal. Enfim, isso acaba não
importando tanto assim (Embora seria muito mais legal se eu tivesse embarcado
as cegas, confesso - A versão que eu li se chamava a Hora do Vampiro (Objetiva) e mesmo nesse título relançado mais bacana consta na capa "Anteriormente publicado como...").
Esse na teoria é o segundo livro de Stephen King conforme
manda o cânone do mestre do terror, mas na verdade não é bem assim. Depois da
história de Carrie (aquela, a Estranha) ele escreveu pelo menos mais dois
romances. Na verdade ‘Salem (Nome original) é lá pelo quarto ou quinto livro do
tio King. Mesmo assim verdade seja dita: Vai escrever bem e construir
personagens lá na pqp. Você fica um pouco confuso no início, pois nos é
apresentado na trama um menino e um homem. Não são parentes, mas ao mesmo tempo
tem uma ligação forte baseada na proteção mútua e em algum medo. Então é descortinado
a história de uma cidadezinha de interior chamada “’Salem Lot” cujo nome se
originou de, pasmem vocês, uma porca gorda de um, provavelmente, mais gordo
ainda fazendeiro. Stephen King dá vida para toda uma população de uma cidade
fictícia que iria aparecer em outros contos dele.
Ben Mears é definitivamente o personagem principal. Escritor de
livros populares e com crítica dividida (lembra alguém? Aliás foi o primeiro de todos os personagens colegas de
profissão que King daria vida) cujo uma fantasia surreal na infância lhe leva a
cidade onde passou parte da infância com o objetivo de escrever um novo livro e
de quebra expurgar alguns demônios pessoais de sua mente. Porém ele chega em um
péssimo momento, pois há duas novas pessoas na cidade que reativam o mal do
símbolo de tudo que é ruim na cidade: A casa Marsten.
Toda cidade interiorana tem um lugar assim. Um símbolo de
todo os temores da juventude, um lugar macabro rodeado de histórias
fantasmagóricas. E esse lugar no livro ocupa uma posição de destaque sendo um
dos pontos elaborados para King ocultar o mal até a hora certa.
Susan é uma luz para os olhos abatidos em um ambiente que
vai se tornando tão hostil. Tão doce, mas também tão teimosa. Desprendida do
alto moralismo de cidades interioranas e decidida acaba se envolvendo com Ben
apesar dos apupos de sua mãe. Além dos dois você conhecerá muita gente, pois
para o livro funcionar Stephen tem que dar
personalidade e vazão diferente para muitas personagens dando um contexto para
uma cidade realmente viva. Você precisa temer por cada personagem.
Há também um professor que curte um bom rock’n’roll e capta
as coisas de primeira (ele é praticamente o dono das regras, todo filme de
vampiro ou aberrações fantásticas tem um), um padreco que oscila em sua fé e um
médico que não adiciona lá muita coisa na história, mas por fazer parte do time
você agrega de boa. E um garoto que é simplesmente um gênio como geralmente o são os infantes das tramas do Stephen.
Pessoas começam a morrer na cidade, inclusive duas crianças e um cachorro que são o estopim, e Ben junto com um novo empreendedor na cidade viram o foco da polícia por serem visitantes de uma cidade tão pacata.
O lado do mal é previsível. Se vampiros infestam a cidade sempre
há um cabeça por trás de tudo e nesse caso - - - - - - - - - - A partir daqui começam os spoilers, pule para
a parte preta que onde estiver vermelho tem revelações de trama. Eu avisei... - - - - - - -
esse homem é Barlow, o vampiro-mor. Eu imagino ele usando uma cartola, não
lembro se de fato ele usa (risos), e ele até é um cara casca grossa (páreo impossível para um humano), mas a luta
final acaba sendo meio brochante o que é costumeiro vindo de Stephen King. Não falo nem em
questão de conclusão insatisfatória, mas em casos de poderes tão discrepantes
entre os dois lados ele sempre opta por uma maneira de solução menos épica e
mais embasada na realidade, mas também bem chatinha. Vencer escondidinho. Mas
talvez não houvesse outro jeito.
Outra coisa que não desce na garganta é uma das mortes do
livro. Não revelarei quem é (mesmo sendo uma área de spoiler) para não estragar
a surpresa dos curiosos, mas assim como em Celular (dele também) é uma daquelas
perdas que demoram pra digerir. Seja como for pelo menos faz sentido diferente
da morte mencionada no livro de zumbis de SK que parece ser uma das piores
mortes já provocadas do nada pelo tio King.
‘Salem, ou o A Hora do Vampiro, é um livro divertido e
difícil de largar. As partes mais chatas são as que envolvem a cidade como um
todo, suas rotinas e costumes, e as mais legais são a cada revelação de quem são as criaturas habitantes
da casa Marsten. Vale muito a pena a
leitura e ver qual é a versão dos dentudões segundo o mestre do terror moderno.
Ah, as cenas dos vampiros voando pela noite e arranhando as vidraças como cachorros cavocando a terra é de arrepiar, haha. Sim, King mantém a tradição de que um vampiro só pode entrar se for convidado, mesmo que ele esqueça disso durante alguns pedaços do livro. O livro deixa margens para continuação e o próprio SK já pensou em fazer uma história a partir de um dos membros do grupo que citei, mas aparentemente abandonou essa idéia para sempre.
Toma Rumo Guri!!
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